Micro-empreendedorismo digital lean bootstrapped de nicho em série sem funcionários – parte 2

DIGITAL, COM POUCOS OU NENHUM FUNCIONÁRIO

negocio-digitalBens físicos são complicados. Exijem fornecedores que às vezes te entregam no prazo, mas às vezes falham. Podem estragar, vir com defeitos, serem roubados. Precisam ser entregues por um meio físico como moto, caminhão, carro, que têm custo elevado além de colocarem mais riscos na operação. Não vamos nem entrar nas complicações fiscais…
Se forem vendidos em lojas físicas então, o crescimento da complexidade e dores de cabeça é exponencial.
Bens digitais, por outro lado são fáceis de serem entregues, não quebram e não tem data de validade, se não funcionarem podem ser substituídos sem grandes investimentos em estoque ou máquinas.
A escalabilidade é infinita, o meio de distribuição não tem fronteiras e o custo não é diretamente proporcional aos volumes distribuídos. As questões fiscais normalmente são favoráveis ou estão muito pouco definidas.
Too good to be true? Claro que há “poréns” e muita gente comete o imenso erro de achar que basta estar na internet para começar a vender. Muito ingênuo. Vender pela internet exige algumas competências diferentes do resto do mercado. Muito trabalho. Muita paciência.
Gerar milhares de acessos ao seu site não é simples e o ROI deve ser olhado com cuidado. Vou comprar tráfego? Vou ter paciência de fazer de maneira orgânica?
Em uma empresa 100% digital, é possível ter muito poucos ou nenhum funcionário. Parcerias com outras empresas e fornecedores podem ser alternativas muito mais adequadas. Questões trabalhistas complexas, litígios judiciais e gerenciar personalidades complicadas podem tomar um tempo precioso que você deveria usar para aprender mais sobre seu mercado.

NICHO: FALANDO COM QUEM VOCÊ ENTENDE

Comunicar-se bem com uma multidão de pessoas não é simples e costuma ser extremamente caro. Por que então não simplificar e escolher falar para pessoas de um público muito específico que você conhece bem a língua? Com necessidades mais facilmente identificáveis?
Os volumes certamente são menores, mas os investimentos também, assim como a conversão costuma ser maior. Mais importante que isso, as pessoas de um determinado nicho estão muito mais acessíveis hoje em dia, devido ao amplo uso da internet e criação de comunidades virtuais.
Não entender seu nicho e como atendê-lo custa caro. Outro dia estava chegando em São Paulo por uma grande rodovia e vi um outdoor enorme e bem posicionado de uma empresa que vendia peças para uma aplicação super específica de um determinado tipo de indústria.
Pra que? A não ser por lavagem de dinheiro, não consigo encontrar motivos para uma empresa investir uma boa grana para mostrar seu produto nichado a pessoas que em 99,999999% dos casos não estão interessadas.
Por que não um anúncio para uma revista focada naquela indústria? Ou uma associação de donos de empresa daquela área? Um blog especializado? As alternativas são várias…
Ao tentar entender quais necessidades de um nicho você pode atender através de um serviço ou produto, definir rapidamente quem é (são) sua(s) persona(s) é essencial. Falhar neste passo pode ser a diferença entre sucesso e fracasso. Entre crescer e ficar andando de lado por muito tempo.
Persona é uma descrição detalhada (pra ficar mais divertido você pode dar um nome e fazer uma caricatura) de uma pessoa que representa as características e comportamentos mais encontrados em seu público alvo. Onde se informam? São homens ou mulheres? Poder aquisitivo? E por aí vai.
Passei por algo muito educativo após alguns meses de fundação de minha primeira empreitada online, o Comida de Verdade (não é 100% digital, mas já falaremos disso).
Achava que poderia atingir dois públicos complementares mas bem diferentes: os que já conheciam e praticavam os princípios da Comida de Verdade e, por outro lado, os que queriam emagrecer mais usavam outros métodos.
Durante mais de seis meses tentamos nos comunicar simultaneamente com estas duas “personas” usando os mesmos canais! Era uma bagunça só: as pessoas entravam no site e não sabiam o que vendíamos. Ficavam confusas e abandonavam a página inicial rapidamente.
Focar uma persona e separar as vendas (loja virtual) do conteúdo “teórico” (blog) ajudou o negócio a dar a deslanchada inicial.
Não superestime sua capacidade de se comunicar com vários públicos ao mesmo tempo. Pode ser fatal.

About the author

oempresariodigital

Engenheiro de computação de formação, trabalhei em empresas de tecnologia, bancos no Brasil, Inglaterra e Espanha por mais de 14 anos.

Atualmente um empreendedor em série de negócios digitais usando a filosofia do micro-empreendedorismo self-funding / bootstrapping, poucos ou nenhum funcionário, estrutura lean e sem espaço físico definitivo.

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