Workplace, Man working on the laptop
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Micro-empreendedorismo digital lean bootstrapped de nicho em série sem funcionários – WTF??

Na primeira parte deste post, falei a respeito do que não acredito. Agora é a vez de desmembrar aquele pequeno monstrinho (micro-empreendedorismo digital lean bootstrapped de nicho em série sem funcionários) e mostrar o que acho que faz sentido.

Vamos por partes e, como diriam os espanhóis, “poco a poco”.

Self funded bootstrapping

Bootstrapping-self funding

O conceito é muito simples…e legal.
Sem essa de captar grandes valores no mercado para testar uma ideia que você (nem ninguém) tem a menor noção do retorno. Claro que é legal fazer mil exercícios no Excel, montar um Powerpoint bonito e….surpreender-se com a diferença entre teoria e prática.
O princípio aqui é que os rendimentos de seu empreendimento/ideia serão usados como funding para o crescimento da startup ou início de um novo teste. No final, quem financia seu aprendizado/crescimento são seus clientes!!
E este ciclo se “perpetua”…Claro que você (e seus sócios, se existirem) terão que colocar uma graninha inicial.
Além disso, nunca gostei da ideia de ficar “jogando” com o dinheiro dos outros, ainda mais quando estão no empreendimento apenas pelo retorno financeiro.
Sabe aquele ditado que diz “seu dinheiro deve estar onde sua boca está”? Correr riscos com o próprio dinheiro faz com que as pessoas sejam mais responsáveis e façam aquilo que falam.
Ser seu próprio investidor e gerar recursos na empresa para serem reinvestidos proporciona uma liberdade enorme, pois a diferença entre investidor e chefe pode ser muito menor do que você pensa.
Imagina então se seu investidor não conhecer direito do negócio: como explicar suas decisões? Como justificar os testes frequentes – e que geralmente não dão resultados de curto prazo – para alguém querendo retornos rápidos? Boa sorte tentando fazer isso.
Mas esse modelo tem limitações óbvias: o quanto você está disposto a investir, em termos financeiros, e a capacidade de sua ideia gerar algum retorno para ser reinvestido no curto prazo.
Por outro lado, dado o aspecto de baixo investimento dos negócios que proponho aqui neste blog, normalmente não é necessária uma conta bancária gordíssima para começar.
Mas com certeza é pré requisito um jeito lean de pensar. E muita paciência.

Lean

Lean

 Tem tantos conceitos envolvidos na ideia de “Lean Startup” que é difícil saber por onde começar.
Façamos então um exercício de imaginação: uma nova ideia surge em uma grande instituição financeira. O idealizador levanta milhões de dados para montar um business case detalhado de como as coisas vão funcionar. Sua apresentação inclui um plano com datas e responsáveis, especificando até quando as pessoas vão sair pra fumar.
Fala também como os clientes vão reagir e aderir à ideia. Que mundo belo!
Em uma primeira instância, apresenta a ideia a um comitê de “executivos” locais, que fazem suas perguntas e aprovam a continuação do projeto.
Como envolve um orçamento enorme, o projeto deverá passar pelo comitê gestor da área de finanças, que verificará se todos os ratios e retornos fazem sentido e pagam o projeto.
Uma vez aprovado em todas instâncias, começa a briga com TI. Quatro meses depois do prazo e alguns milhares de reais a mais do acordado, a solução é entregue.
As pessoas são “treinadas” (algum curso pela intranet ou apresentação de um multiplicador da área) e a ideia é finalmente é posta em prática.
Então…tudo isso é o contrário de LEAN. Tudo muito bonito no Powerpoint e no discurso dos executivos, mas os clientes comportam-se de maneira imprevisível. Se eles “decidirem” que a ideia não é boa, lá se foram milhões de reais, tempo e moral das pessoas.
Logo, por que não começar pequeno, testar rápido e muitas vezes, até se chegar a algo que realmente tem tração com os clientes?
A opinião que realmente importa é a dos clientes. Na verdade, não é sua opinião, mas como reagem na prática à nova ideia proposta. Simples assim.
Pouco importam as ideias e convicções de executivos com anos de experiência no mercado. A opinião deles não passa de uma hipótese não testada, quando se trata de novas ideias.
Pesquisas de opinião, painéis etc. em boa parte das vezes são inúteis. A maioria das pessoas não sabe dizer o que realmente quer. Só conseguem expressar seus desejos em forma de comportamentos, quando são expostas à situação em teste.
“Você compraria este pacote de alimentos saudáveis por 50 reais mensais?”. Inútil. Monte o pacote, com features que, em tese, são importantes para seu público-alvo, defina como serão os testes e medições e obtenha as respostas.
Seus clientes e prospects são seu Oráculo. Use todo e qualquer feedback explícito e implícito para aprender e evoluir seu produto/serviço, através de uma sistemática de testes robusta.

About the author

oempresariodigital

Engenheiro de computação de formação, trabalhei em empresas de tecnologia, bancos no Brasil, Inglaterra e Espanha por mais de 14 anos.

Atualmente um empreendedor em série de negócios digitais usando a filosofia do micro-empreendedorismo self-funding / bootstrapping, poucos ou nenhum funcionário, estrutura lean e sem espaço físico definitivo.

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