trial-and-error

Empreender = testar, errar, aprender e recomeçar

Narrativas e “storytelling” são muito bonitas, mas leia por que, na minha humilde opinião, não servem pra quase nada do ponto de vista de quem quer empreender.

Por favor, não deixe de escrever seu comentário ao final do texto.

Histórias bonitas são apenas para diversão

Como quase tudo na vida, a visão que a maioria das pessoas tem sobre empreender é influenciada por histórias de sucesso divulgadas em jornais e revistas. Claro que estas histórias são escolhidas a dedo e nem de longe representam a realidade do dia a dia de um empresário.

storytelling-liesÉ muito legal inspirar-se em contos como o de Steve Jobs ou daquele catador de papelão que fatura milhões com sua franquia de psicólogos para pets. O que dizer então das maravilhosas histórias dos que captam milhões de dólares de investidores que mal sabem no que estão se metendo? Como diversão, é muito bacana ler estes casos. Na prática, serve pra muito pouco.

Principalmente por três fatores: as histórias são embelezadas para criar uma narrativa que “faça sentido”, milhões de variáveis influenciaram no sucesso (e na maioria das histórias da vida real, do fracasso) e, principalmente, pelo viés do engenheiro da obra pronta.

Ó viés do engenheiro da obra pronta (também conhecido como “o do profeta do acontecido”) acontece quando alguém explica o resultado observado criando conexões “lógicas” entre vários fatos que aconteceram.

Que os fatos aconteceram, dificilmente resta alguma dúvida. Agora, afirmar com convicção que eles resultaram no sucesso é no mínimo ingenuidade.

Assim, não acredito em falas do tipo: “viu, para ter sucesso você precisa fazer x, y e z”. O que acredito está bem longe disso.

Antes de seguir quero deixar claro que não acho que toda experiência passada deve ser desprezada. Pontualmente, pode ajudar a escolher caminhos e descartar outros. Mas nunca como explicação do sucesso de algo ou alguém. O sucesso ou fracasso é extremamente complexo e raramente pode ser replicado.

No que acredito então?

empreender-errar-aprenderAcredito que o máximo que conseguimos fazer é formular hipóteses e estas devem ser adequadamente testadas a exaustão. É a única forma de saber se algo se aplica à sua situação particular.

Todo o resto decorre desta premissa básica.

O que normalmente acontece na vida real?

Sempre me incomodou a falta de testes no ambiente das grandes corporações.  Quantas milhares de vezes participei de reuniões nas quais decisões de grandes investimentos eram baseadas na opinião do executivo mais graduado. Ou em alguma ideia que parecia fazer sentido?

Como se ele soubesse como milhões de pessoas vão reagir a uma nova campanha, produto ou posicionamento. Baseado em sua “sabedoria”, milhões são investidos em sistemas tecnológicos (que depois de prontos são difíceis de serem mudados) apenas para chegar a conclusão de que “o cliente não se comportou como a gente esperava”.

Minha pergunta é: precisava ter gasto tanto dinheiro, tempo e moral da equipe baseado em um palpite? Sim, isso não passa de palpite ou hipótese.

Muitas vezes a arrogância e confiança dos tomadores de decisão faz com que hipóteses não testadas sejam tratadas como verdade.

Em minha humilde opinião, se você tem uma hipótese que acredita ser boa, deve coloca-la à prova da vida real. De preferência, de uma forma barata, não definitiva e na qual os feedbacks sejam rápidos e constantes.

Não precisa testar com 100% dos clientes. Comece pequeno e vá evoluindo.

Números são legais, mas podem atrapalhar

analysis-paralysisAnalisar números e estatísticas do passado para saber se uma hipótese tem mais chance de ser verdadeira pode ser útil, até certo ponto. Na maioria das vezes, o que presenciei foi um fenômeno chamado “analysis paralysis”: você tem tanta informação que não consegue tomar uma decisão, pois dificilmente elas vão apontar um caminho claro.

Seria muito legal se apontassem, pois neste caso tudo se resolveria com um Excel cheio de números e uma apresentação de PowerPoint bonita. Ops, muitas empresas ainda trabalham assim.

Tudo que sei é que nada sei

Minha filosofia de empreendedor (e de vida) segue mais ou menos este princípio. Não existe caminho pronto para o sucesso e não podemos saber de antemão se algo vai funcionar ou não.

Não se expondo ao maravilhoso mundo do teste de hipóteses, arriscamos ficar presos ao status quo, sempre igual, “seguro” e que muitas vezes não funciona.

A princípio, este mundo pode parecer incerto (e de fato é) e gerar um medo paralisante. “E se eu estiver errado?” (mais sobre o medo de errar e nossa cultura de crucificação de quem erra em um próximo post).

Na minha experiência, essa sensação passa rápido. Desde que você esteja disposto realmente a testar, errar (e assumir os erros e suas consequências), aprender e começar o ciclo de novo.

Sem isso, não existe empreendedorismo.

About the author

oempresariodigital

Engenheiro de computação de formação, trabalhei em empresas de tecnologia, bancos no Brasil, Inglaterra e Espanha por mais de 14 anos.

Atualmente um empreendedor em série de negócios digitais usando a filosofia do micro-empreendedorismo self-funding / bootstrapping, poucos ou nenhum funcionário, estrutura lean e sem espaço físico definitivo.

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